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Que maior dita no mundo? A quinta dos herdeiros do Farrobo em Águeda

3 days ago
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Updated: 2 days ago

O homem das festas de Lisboa. A casa que pedia menos.


No pátio de uma quinta sobre o vale do Águeda, uma fonte de bica corre para uma taça encostada a uma parede de azulejo azul e branco. Por cima, pintada em maiúsculas, há uma quadra sobre uma casita na aldeia, o fogo vivo, uma mulher que nos ame e um filhinho que nos chame. Acaba com uma pergunta: que maior dita no mundo? A casa pertence aos herdeiros dos Condes do Farrobo, uma família cujo nome deu à língua portuguesa uma palavra para festa rija.


Pátio da Quinta do Casainho em Águeda, com azulejos, colunata e fonte
O pátio: uma colunata, uma fonte e paredes de azulejo azul e branco.

O homem das festas

Joaquim Pedro Quintela, 1.º Conde do Farrobo (1801–1869), foi o homem mais rico de Portugal do seu tempo. Vidro, minas, seguros, caminhos de ferro e o monopólio do tabaco passaram pelas suas mãos. Na Quinta das Laranjeiras, às portas de Lisboa, onde hoje está o Jardim Zoológico, erguia-se o seu Teatro Tália, salão predileto da rainha D. Maria II, onde as noites se prolongavam. Foi mecenas de músicos e pintores e inspetor-geral dos Teatros.


Retrato de Joaquim Pedro Quintela, 1.º Conde do Farrobo
Joaquim Pedro Quintela, 1.º Conde do Farrobo (1801–1869).

Não durou. Perdeu o contrato do tabaco, arrastou um processo durante décadas e, em 1862, o teatro ardeu e nunca foi reconstruído. Morreu em 1869 sem a maior parte da fortuna. Ficou a fama e, talvez, uma palavra: diz-se que farrobodó vem do seu nome.


Uma fortuna gasta em espetáculo.


Uma quinta em Águeda

O título passou de geração em geração e, no século XX, a família criou raízes longe das Laranjeiras, no lugar de Casainho de Cima, freguesia de Recardães, entre Aveiro e Coimbra. Os Condes do Farrobo têm jazigo de família no cemitério de Recardães, e o portão da quinta ostenta um brasão sob coroa de conde.


Casa principal da Quinta do Casainho em Águeda, com empena recortada, alpendre e pérgula
A casa principal: empena recortada, alpendre de colunas e pérgula.

A casa fala a língua do início do século XX, a da casa portuguesa que arquitetos como Raul Lino tinham posto na moda: alpendre de colunas, empena recortada, beirados fundos, tetos de caixotões em madeira. À volta de um pátio, uma galeria coberta é forrada de grandes painéis de azulejo ao gosto setecentista, cenas de jardim emolduradas por volutas e conchas.


Painel de azulejo azul e branco com cena de jardim na galeria do pátio, Quinta do Casainho
Um painel de azulejo ao gosto setecentista, na galeria do pátio.

Uma quadra em azulejo

No centro de tudo está a fonte, e a sua quadra. Não está assinada, e fala com a voz de quem não quer nada de grandioso:


UMA CASITA NA ALDEIA

AGASALHADA E BEM CHEIA

FOGO VIVO, AMOR FECUNDO

UMA MULHER QUE NOS AME

UM FILHINHO QUE NOS CHAME

QUE MAIOR DITA NO MUNDO?


Fonte de azulejo com quadra pintada sobre a felicidade na Quinta do Casainho, Águeda
A fonte e a sua quadra: que maior dita no mundo?


Uma casita na aldeia, o lume, a família: os herdeiros do grande anfitrião escolheram uma felicidade mais calma.


Lida ao lado da história do primeiro conde, a quadra soa a resposta. O teatro, o tabaco e as festas tinham passado. A família que herdou o nome construiu, ou guardou, uma casa onde o ideal ficou escrito na parede em azulejo: o calor, o amor, a voz de um filho. Para mais azulejo com história, leia Janelas Verdes, 1905.


Galeria coberta com colunas e paredes de azulejo na Quinta do Casainho, Águeda
A galeria coberta à volta do pátio.

A quinta hoje

A quinta tem cerca de 13 hectares sobre o vale do rio Águeda: pinhal, jardins e terra aberta, uma casa principal com nove quartos, tetos de caixotões e com pinturas, lareiras, uma segunda casa, a casa dos caseiros, adega e anexos por recuperar. Aveiro e Coimbra ficam perto, e o aeroporto do Porto a cerca de uma hora.


Sala de jantar com teto de caixotões em madeira na Quinta do Casainho, Águeda
A sala de jantar, sob um teto de caixotões.

Vista aérea da Quinta do Casainho em Águeda
A quinta vista do alto, no vale do Águeda.

A quinta está à venda através da Wiseguys Properties: veja a quinta em Águeda.


Perguntas frequentes

Quem foi o Conde do Farrobo?

Joaquim Pedro Quintela (1801–1869), 1.º Conde do Farrobo, financeiro e mecenas lisboeta, dono da Quinta das Laranjeiras e do Teatro Tália, cuja fortuna se perdeu em grande parte antes da sua morte.


Onde fica a Quinta do Casainho?

Em Casainho de Cima, freguesia de Recardães, concelho de Águeda, entre Aveiro e Coimbra.


O que diz a quadra em azulejo?

Elogia uma casita na aldeia, o fogo vivo, uma mulher que nos ame e um filhinho que nos chame, e pergunta: que maior dita no mundo?


De onde vem a palavra 'farrobodó'?

Diz-se que vem do Conde do Farrobo, famoso pelas festas faustosas na Quinta das Laranjeiras, em Lisboa.


A quinta está à venda?

Sim, através da Wiseguys Properties.



Fontes: Geneall, Condes do Farrobo; Joaquim Pedro Quintela, 1.º Conde do Farrobo (Wikipedia); Solares e Brasões, "Jazigo dos condes de Farrôbo em Recardães" (2014) e "Casa em Casainho de Cima, Águeda" (2018); Câmara Municipal de Águeda, Recardães. Fotografia: Wiseguys Properties; retrato do Conde do Farrobo: domínio público.

 
 
 
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