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Bairros de Lisboa: onde viver, lidos pela arquitetura

2 days ago
6 min read

Em Lisboa, o prédio diz-nos o bairro.


Lisboa é uma cidade de camadas: uma colina medieval, uma malha setecentista refeita depois do terramoto, avenidas do século XIX, bairros planeados nos anos 1940 e uma frente ribeirinha nascida de uma exposição mundial. Cada camada fez o seu tipo de casa. Ler os bairros de Lisboa pela arquitetura é a maneira mais segura de perceber como se vive em cada um, e qual pode servir-lhe. Segue-se o retrato de onze, de poente para nascente e do rio para norte, com as casas que a Wiseguys Properties conhece em vários deles.


Lapa, Madragoa, Estrela e Campo de Ourique

A Lapa sobe do rio para a Estrela em ruas sossegadas de casas nobres e palácios, muitos com jardim atrás de muros altos. Desde 2012 pertence à freguesia da Estrela. Na Rua das Janelas Verdes fica o Museu Nacional de Arte Antiga, fundado em 1884 num palácio do século XVII, o Palácio Alvor, a que Lisboa ainda chama o museu das Janelas Verdes. A poucas portas, um prédio de 1905 veste uma fachada de azulejo relevado Arte Nova: contámos a sua história em Janelas Verdes 1905. Abaixo da Lapa, a Madragoa é uma teia mais densa de ruas estreitas e casas pequenas a descer para o rio.


Vista sobre os telhados de Lisboa a partir de um apartamento na Lapa
Lapa: telhados, rio e a luz do poente.

A Estrela deve o nome à basílica que D. Maria I mandou erguer em cumprimento de um voto, iniciada em 1779, sagrada em 1789 e dedicada ao Sagrado Coração de Jesus. Para lá dela, Campo de Ourique nasceu do plano de expansão oitocentista do engenheiro Ressano Garcia, e as suas ruas regulares ainda lhe dão um ar de pequena cidade autónoma, com mercado próprio, aberto desde 1934.


Baixa, Chiado e Príncipe Real

A Baixa é a cidade reconstruída depois do terramoto de 1 de novembro de 1755: um plano de Manuel da Maia, executado pelos engenheiros militares Eugénio dos Santos e Carlos Mardel, aprovado em 1758, com uma malha regular de quarteirões e prédios travados pela gaiola, uma estrutura interior de madeira pensada para resistir aos sismos. A Lisboa Pombalina está na Lista Indicativa da UNESCO desde 2017. Mais acima, o Chiado ardeu a 25 de agosto de 1988; a reconstrução foi entregue a Álvaro Siza, e a última peça, os Terraços do Carmo, abriu em 2015.


Mais acima ainda, o Príncipe Real é um bairro de palacetes oitocentistas em torno de um jardim, que assenta sobre o Reservatório da Patriarcal, concluído em 1864. É central e residencial ao mesmo tempo, o que em Lisboa é mais raro do que parece.


Alfama e Graça

Alfama guarda o traçado da cidade medieval. As casas foram em grande parte reconstruídas depois de 1755, mas sobre os lotes e ao longo das ruelas antigas, e por isso o bairro ainda parece um só organismo a subir para o castelo. Ao lado, a Graça junta alguns dos grandes miradouros da cidade e algo muito lisboeta: as vilas operárias, conjuntos em torno de um pátio construídos para arrendar na viragem do século XX. A Vila Berta, construída entre 1908 e 1911, é hoje conjunto de interesse público.


Cada camada de Lisboa fez o seu tipo de casa.


Avenidas Novas e Arroios

A norte do Marquês de Pombal, Ressano Garcia traçou as Avenidas Novas em torno da Avenida das Picoas, rebatizada Avenida da República depois de 1910. O bairro encheu-se de prédios de rendimento e de palacetes, vários distinguidos com o Prémio Valmor, atribuído desde 1902. A Casa dos Viscondes de Valmor, de Ventura Terra, premiada em 1906, ainda está na Avenida da República. O nosso artigo sobre um apartamento de Francisco Tojal no Campo Pequeno mostra o que estes prédios podem tornar-se, e o guia sobre os prédios de rendimento do Estado Novo segue a história pelos anos 1930 e 1940. O The Quiet Blue, um último andar num prédio de 1935, está disponível para arrendamento.


Soalho em parquet num último andar de um prédio de 1935 nas Avenidas Novas, Lisboa
Avenidas Novas: parquet num prédio de 1935.

A nascente, Arroios é uma freguesia criada em 2012 a partir dos Anjos, da Pena e de São Jorge de Arroios, em torno da Avenida Almirante Reis. É uma das zonas mais densas e mais misturadas da cidade, com prédios desde o fim do século XIX. O The Diplomat, um apartamento T2, está à venda ali.


Sala de um apartamento T2 à venda em Arroios, Lisboa
Arroios: a sala do The Diplomat.

Alvalade e Restelo: a cidade planeada

Alvalade é o bairro planeado mais completo de Lisboa. O arquiteto João Guilherme Faria da Costa desenhou-o entre 1940 e 1945 para cerca de 45.000 pessoas em 230 hectares, em oito células, cada uma organizada em torno de uma escola, misturando rendas económicas e livres, moradias e prédios. As obras começaram em 1947. O resultado é um bairro de árvores, escolas e comércio de rua que muitas famílias escolhem precisamente por isso. A Villa Bontempo, uma moradia T7, está à venda ali.


Exterior de uma moradia T7 à venda em Alvalade, Lisboa
Alvalade: uma casa de família na cidade planeada.

O Restelo, na encosta sobre Belém, começou com o plano de Faria da Costa para a Encosta da Ajuda, em 1938. Nos anos seguintes a 1940, a primeira geração de arquitetos modernistas portugueses encheu-a de grandes moradias, e planos posteriores juntaram prédios e moradias modernistas a norte da Avenida do Restelo. Continua a ser a Lisboa das casas com jardim: a Vista Royal, uma moradia T6, está à venda ali.


Moradia contemporânea com portas de vidro de correr no Restelo, Lisboa
Restelo: uma casa e o seu jardim.

Parque das Nações e Lumiar

O Parque das Nações foi construído para a Expo 98, na frente ribeirinha oriental, e guardou a arquitetura da exposição: a Gare do Oriente de Santiago Calatrava, o Pavilhão de Portugal de Álvaro Siza, o Pavilhão do Conhecimento de Carrilho da Graça. É o mais novo dos bairros de Lisboa, com prédios recentes, um longo passeio junto ao rio e acesso rápido ao aeroporto.


A norte, o Lumiar guarda a memória das quintas setecentistas onde as famílias de Lisboa passavam o verão. À volta do Paço do Lumiar, antigas casas de quinta, ermidas e jardins de azulejo resistem entre prédios mais novos; descrevemo-los no artigo sobre o Paço do Lumiar. Uma delas, o palácio da Quinta de São Sebastião, está à venda como Garden of Eden.


Antes de escolher

Visite a horas diferentes: alguns dos melhores bairros de Lisboa mudam por completo entre uma manhã de semana e um sábado à noite. Percorra as encostas, porque Lisboa é uma cidade de colinas e escadinhas. Olhe para o prédio tanto quanto para a casa: a idade, a estrutura, o estado das partes comuns, o condomínio. Um prédio anterior a 1951 pode não ter licença de utilização, e isso pode ser normal (veja a nossa nota sobre a licença). Para a compra, leia comprar casa em Portugal, passo a passo e quanto custa realmente comprar casa. Se tem casa num destes bairros e pensa vender, fale connosco.


Perguntas frequentes

Quais são os melhores bairros de Lisboa para viver?

Depende de como vive. Lapa, Estrela e Príncipe Real servem quem quer casas antigas perto do centro; Campo de Ourique e Alvalade servem famílias; o Restelo tem moradias com jardim; o Parque das Nações tem prédios recentes junto ao rio.


Quais os bairros de Lisboa mais procurados por famílias?

Campo de Ourique e Alvalade são muitas vezes escolhidos por famílias: ambos têm mercado, escolas e ruas regulares, e Alvalade foi organizado de raiz em torno das escolas.


Onde há moradias com jardim em Lisboa?

Sobretudo no Restelo e na Lapa, e nas antigas quintas do Lumiar. No centro histórico os jardins são raros e costumam esconder-se atrás de muros.


Vale a pena viver em Alfama?

É uma das zonas com mais carácter da cidade, com traçado medieval, ruas íngremes e muito turismo. Os prédios são antigos e muitas vezes pequenos: verifique bem o seu estado.


O que valoriza uma casa num bairro histórico de Lisboa?

A qualidade do prédio, o estado das partes comuns, a luz, a vista e a documentação em ordem, incluindo a licença de utilização ou a prova de que o prédio é anterior a 1951.


Fontes: Câmara Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital (Ressano Garcia; Bairro de Alvalade); UNESCO, Lista Indicativa, Lisboa Pombalina (2017); ISCTE-IUL, estudo sobre o Restelo; Universidade de Évora, estudo do edificado de Alfama; Lusa, Vila Berta (2021); Visit Lisboa, Reservatório da Patriarcal; Museu Nacional de Arte Antiga. Fotografias: Wiseguys Properties.

 
 
 
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