Bairros de Lisboa: onde viver, lidos pela arquitetura
Em Lisboa, o prédio diz-nos o bairro.
Lisboa é uma cidade de camadas: uma colina medieval, uma malha setecentista refeita depois do terramoto, avenidas do século XIX, bairros planeados nos anos 1940 e uma frente ribeirinha nascida de uma exposição mundial. Cada camada fez o seu tipo de casa. Ler os bairros de Lisboa pela arquitetura é a maneira mais segura de perceber como se vive em cada um, e qual pode servir-lhe. Segue-se o retrato de onze, de poente para nascente e do rio para norte, com as casas que a Wiseguys Properties conhece em vários deles.
Lapa, Madragoa, Estrela e Campo de Ourique
A Lapa sobe do rio para a Estrela em ruas sossegadas de casas nobres e palácios, muitos com jardim atrás de muros altos. Desde 2012 pertence à freguesia da Estrela. Na Rua das Janelas Verdes fica o Museu Nacional de Arte Antiga, fundado em 1884 num palácio do século XVII, o Palácio Alvor, a que Lisboa ainda chama o museu das Janelas Verdes. A poucas portas, um prédio de 1905 veste uma fachada de azulejo relevado Arte Nova: contámos a sua história em Janelas Verdes 1905. Abaixo da Lapa, a Madragoa é uma teia mais densa de ruas estreitas e casas pequenas a descer para o rio.

A Estrela deve o nome à basílica que D. Maria I mandou erguer em cumprimento de um voto, iniciada em 1779, sagrada em 1789 e dedicada ao Sagrado Coração de Jesus. Para lá dela, Campo de Ourique nasceu do plano de expansão oitocentista do engenheiro Ressano Garcia, e as suas ruas regulares ainda lhe dão um ar de pequena cidade autónoma, com mercado próprio, aberto desde 1934.
Baixa, Chiado e Príncipe Real
A Baixa é a cidade reconstruída depois do terramoto de 1 de novembro de 1755: um plano de Manuel da Maia, executado pelos engenheiros militares Eugénio dos Santos e Carlos Mardel, aprovado em 1758, com uma malha regular de quarteirões e prédios travados pela gaiola, uma estrutura interior de madeira pensada para resistir aos sismos. A Lisboa Pombalina está na Lista Indicativa da UNESCO desde 2017. Mais acima, o Chiado ardeu a 25 de agosto de 1988; a reconstrução foi entregue a Álvaro Siza, e a última peça, os Terraços do Carmo, abriu em 2015.
Mais acima ainda, o Príncipe Real é um bairro de palacetes oitocentistas em torno de um jardim, que assenta sobre o Reservatório da Patriarcal, concluído em 1864. É central e residencial ao mesmo tempo, o que em Lisboa é mais raro do que parece.
Alfama e Graça
Alfama guarda o traçado da cidade medieval. As casas foram em grande parte reconstruídas depois de 1755, mas sobre os lotes e ao longo das ruelas antigas, e por isso o bairro ainda parece um só organismo a subir para o castelo. Ao lado, a Graça junta alguns dos grandes miradouros da cidade e algo muito lisboeta: as vilas operárias, conjuntos em torno de um pátio construídos para arrendar na viragem do século XX. A Vila Berta, construída entre 1908 e 1911, é hoje conjunto de interesse público.
Cada camada de Lisboa fez o seu tipo de casa.
Avenidas Novas e Arroios
A norte do Marquês de Pombal, Ressano Garcia traçou as Avenidas Novas em torno da Avenida das Picoas, rebatizada Avenida da República depois de 1910. O bairro encheu-se de prédios de rendimento e de palacetes, vários distinguidos com o Prémio Valmor, atribuído desde 1902. A Casa dos Viscondes de Valmor, de Ventura Terra, premiada em 1906, ainda está na Avenida da República. O nosso artigo sobre um apartamento de Francisco Tojal no Campo Pequeno mostra o que estes prédios podem tornar-se, e o guia sobre os prédios de rendimento do Estado Novo segue a história pelos anos 1930 e 1940. O The Quiet Blue, um último andar num prédio de 1935, está disponível para arrendamento.

A nascente, Arroios é uma freguesia criada em 2012 a partir dos Anjos, da Pena e de São Jorge de Arroios, em torno da Avenida Almirante Reis. É uma das zonas mais densas e mais misturadas da cidade, com prédios desde o fim do século XIX. O The Diplomat, um apartamento T2, está à venda ali.

Alvalade e Restelo: a cidade planeada
Alvalade é o bairro planeado mais completo de Lisboa. O arquiteto João Guilherme Faria da Costa desenhou-o entre 1940 e 1945 para cerca de 45.000 pessoas em 230 hectares, em oito células, cada uma organizada em torno de uma escola, misturando rendas económicas e livres, moradias e prédios. As obras começaram em 1947. O resultado é um bairro de árvores, escolas e comércio de rua que muitas famílias escolhem precisamente por isso. A Villa Bontempo, uma moradia T7, está à venda ali.

O Restelo, na encosta sobre Belém, começou com o plano de Faria da Costa para a Encosta da Ajuda, em 1938. Nos anos seguintes a 1940, a primeira geração de arquitetos modernistas portugueses encheu-a de grandes moradias, e planos posteriores juntaram prédios e moradias modernistas a norte da Avenida do Restelo. Continua a ser a Lisboa das casas com jardim: a Vista Royal, uma moradia T6, está à venda ali.

Parque das Nações e Lumiar
O Parque das Nações foi construído para a Expo 98, na frente ribeirinha oriental, e guardou a arquitetura da exposição: a Gare do Oriente de Santiago Calatrava, o Pavilhão de Portugal de Álvaro Siza, o Pavilhão do Conhecimento de Carrilho da Graça. É o mais novo dos bairros de Lisboa, com prédios recentes, um longo passeio junto ao rio e acesso rápido ao aeroporto.
A norte, o Lumiar guarda a memória das quintas setecentistas onde as famílias de Lisboa passavam o verão. À volta do Paço do Lumiar, antigas casas de quinta, ermidas e jardins de azulejo resistem entre prédios mais novos; descrevemo-los no artigo sobre o Paço do Lumiar. Uma delas, o palácio da Quinta de São Sebastião, está à venda como Garden of Eden.
Antes de escolher
Visite a horas diferentes: alguns dos melhores bairros de Lisboa mudam por completo entre uma manhã de semana e um sábado à noite. Percorra as encostas, porque Lisboa é uma cidade de colinas e escadinhas. Olhe para o prédio tanto quanto para a casa: a idade, a estrutura, o estado das partes comuns, o condomínio. Um prédio anterior a 1951 pode não ter licença de utilização, e isso pode ser normal (veja a nossa nota sobre a licença). Para a compra, leia comprar casa em Portugal, passo a passo e quanto custa realmente comprar casa. Se tem casa num destes bairros e pensa vender, fale connosco.
Perguntas frequentes
Quais são os melhores bairros de Lisboa para viver?
Depende de como vive. Lapa, Estrela e Príncipe Real servem quem quer casas antigas perto do centro; Campo de Ourique e Alvalade servem famílias; o Restelo tem moradias com jardim; o Parque das Nações tem prédios recentes junto ao rio.
Quais os bairros de Lisboa mais procurados por famílias?
Campo de Ourique e Alvalade são muitas vezes escolhidos por famílias: ambos têm mercado, escolas e ruas regulares, e Alvalade foi organizado de raiz em torno das escolas.
Onde há moradias com jardim em Lisboa?
Sobretudo no Restelo e na Lapa, e nas antigas quintas do Lumiar. No centro histórico os jardins são raros e costumam esconder-se atrás de muros.
Vale a pena viver em Alfama?
É uma das zonas com mais carácter da cidade, com traçado medieval, ruas íngremes e muito turismo. Os prédios são antigos e muitas vezes pequenos: verifique bem o seu estado.
O que valoriza uma casa num bairro histórico de Lisboa?
A qualidade do prédio, o estado das partes comuns, a luz, a vista e a documentação em ordem, incluindo a licença de utilização ou a prova de que o prédio é anterior a 1951.
Fontes: Câmara Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital (Ressano Garcia; Bairro de Alvalade); UNESCO, Lista Indicativa, Lisboa Pombalina (2017); ISCTE-IUL, estudo sobre o Restelo; Universidade de Évora, estudo do edificado de Alfama; Lusa, Vila Berta (2021); Visit Lisboa, Reservatório da Patriarcal; Museu Nacional de Arte Antiga. Fotografias: Wiseguys Properties.
