A aldeia que ficou vazia: as casas de xisto da Azinheira
Já não vive ninguém na Azinheira. As casas continuam lá.
A menos de dez quilómetros a sudoeste de Castelo Branco, na freguesia de Benquerenças, um punhado de casas de xisto alinha-se ao longo de dois caminhos que se cruzam. À volta crescem pinheiros, oliveiras e azinheiras, as árvores que deram nome ao lugar. Já ninguém aqui mora. Desde 2004, a aldeia está classificada como de interesse municipal.

Uma casa feita do chão
Tudo aqui veio da terra à volta. As paredes são de xisto, ou de seixo rolado alternado com fiadas horizontais de xisto, ligados com o barro vermelho da região. Blocos maiores de xisto fazem os cunhais, as padieiras e as ombreiras; lajes de xisto ao alto fazem os pequenos muretes. As coberturas eram de telha de canudo, de lajes de xisto ou de colmo.
As casas têm um ou dois pisos e adaptam-se ao lote, ao declive e à qualidade do solo. Uma fachada tem normalmente uma porta e uma ou mais janelas, com reboco de cal e uma faixa pintada à volta dos vãos. Algumas casas foram mais tarde rebocadas por inteiro, para proteger do frio.


Um lume no chão, e nenhuma chaminé.
A vida à volta do lume
Por dentro, as divisões eram escuras. Na sala principal, o lume fazia-se diretamente no chão, e era ali que se cozinhava. Muitas casas não tinham chaminé: o fumo saía como podia e as paredes ficavam negras. As alcovas eram pequenas e muitas vezes partilhadas por várias pessoas. Lá fora, os caminhos comuns, alguns quintais e pequenas eiras ficavam abertos a todos. Ainda resistem um poço, uma fonte e um forno.


Como a Beira Baixa se esvaziou
A freguesia de Benquerenças tinha 1.463 habitantes em 1864 e chegou ao máximo em 1940, com 1.993. Depois, o interior começou a esvaziar-se. Entre 1960 e 1970, a freguesia perdeu quase um terço da população; voltou a cair na viragem do século. Em 2021 tinha 637. A Azinheira, uma das suas aldeias, está hoje totalmente desabitada.
As casas ficaram. As pessoas partiram.
Uma república por uma tarde
Vazia não quer dizer esquecida. A 22 de junho de 2024, o projeto artístico Estado Ativo, da associação Terceira Pessoa, com apoio da Direção-Geral das Artes e da Comissão Comemorativa dos 50 Anos do 25 de Abril, terminou na Azinheira. Sob a pergunta “Como vamos viver juntos?”, poemas, canções, performances e pinturas celebraram a aldeia, em ficção, como um estado utópico independente.

A propriedade
A propriedade agora à venda através da Wiseguys Properties reúne casas, anexos e terreno na Azinheira, em vários prédios: 557 m² de construção e 7.056 m² de terreno. Como a aldeia está classificada, qualquer reabilitação depende da aprovação da Câmara Municipal de Castelo Branco. Veja a sua página e leia o nosso guia sobre comprar uma aldeia em Portugal.

Perguntas frequentes
Onde fica a Azinheira?
Na freguesia de Benquerenças, concelho de Castelo Branco, na Beira Baixa, a menos de dez quilómetros a sudoeste da cidade.
A aldeia está classificada?
Sim. Foi classificada como imóvel de interesse municipal pela Câmara Municipal de Castelo Branco em 2004 (Edital n.º 94-A/2004).
De que são feitas as casas?
De xisto e seixo rolado ligados com barro vermelho da região, com coberturas de telha de canudo, lajes de xisto ou colmo.
Ainda vive alguém na Azinheira?
Não. A aldeia está totalmente desabitada.
A aldeia está à venda?
Uma propriedade com casas, anexos e terreno na Azinheira está à venda através da Wiseguys Properties.
Para ler a seguir: Reabilitação de casas antigas: paredes velhas, regras novas e Imóvel classificado: o que muda na venda e na compra.
Fontes: Património Cultural (DGPC), Aldeia da Azinheira (Maria Ramalho, 2017, com João Santos, Câmara Municipal de Castelo Branco); José Antunes Belo, Benquerenças (1985); dados dos Censos (INE) via Wikipédia; Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril e Rádio Castelo Branco (2024). Fotografias: Wiseguys Properties.
