Ribeiro Telles e o jardim da quinta, no Lumiar
Updated: 2 days ago
Um jardim não é decoração. É paisagem à escala de uma casa.
Gonçalo Ribeiro Telles passou a vida a dizer que a paisagem portuguesa não era cenário, mas um sistema vivo, para ler e cuidar. Em 1970, nos mesmos anos em que o seu jardim para a Fundação Gulbenkian crescia até se tornar o mais amado de Lisboa, pediram-lhe que redesenhasse um jardim muito mais antigo: o da Quinta de São Sebastião, no Paço do Lumiar.

O arquiteto paisagista
Ribeiro Telles nasceu em Lisboa em 1922 e formou-se em agronomia e arquitetura paisagista no Instituto Superior de Agronomia. A partir de 1961, com António Viana Barreto, projetou o jardim da Fundação Calouste Gulbenkian, distinguido com o Prémio Valmor em 1975. Desenhou depois os corredores verdes de Lisboa, foi ministro da Qualidade de Vida e ajudou a criar a Reserva Ecológica e a Reserva Agrícola Nacionais, que ainda hoje moldam o território. Em 2013 recebeu o Prémio Sir Geoffrey Jellicoe, a mais alta distinção internacional da sua profissão.

Um jardim antigo, redesenhado
O jardim que encontrou no Lumiar já era antigo. Os inventários descrevem um jardim de recreio setecentista, com estátuas, fontes, tanques e muros de azulejo, e um banco de azulejo datado de 1715. Depois de um grande restauro da casa em 1965, a proprietária encomendou-lhe, em 1970, o redesenho do jardim.
O jardim de hoje é uma sequência de salas, mais do que uma vista: um banco curvo de azulejo azul e branco à volta de uma taça de pedra, um tanque que duplica os pavilhões na água, uma loggia clássica, uma colunata, escadas e urnas sob ciprestes e plátanos. É a gramática do jardim português, sombra, água e azulejo, que Ribeiro Telles defendeu toda a vida.

Sombra, água e azulejo.

O jardim português faz-se de sombra, água e azulejo, e é feito para ser vivido.
Para saber exatamente que caminhos e canteiros são seus, seria preciso consultar o próprio projeto de 1970. O registo do património é, porém, claro quanto à autoria do redesenho, e quanto àquilo com que trabalhou: um jardim que crescia há duzentos anos.

O jardim hoje
O palácio manteve um jardim com cerca de 2.780 m², com os seus tanques, pavilhões e azulejos. A história anterior da quinta conta-se em Antes de Lino, a reconstrução da casa em 1920 em Raul Lino reconstrói uma quinta joanina, e o bairro em Paço do Lumiar, uma aldeia de quintas.
O palácio está à venda através da Wiseguys Properties: veja Garden of Eden.
Perguntas frequentes
Quem foi Gonçalo Ribeiro Telles?
Arquiteto paisagista e político português (Lisboa, 1922–2020), autor, com António Viana Barreto, do jardim da Gulbenkian e vencedor do Prémio Sir Geoffrey Jellicoe em 2013.
O que projetou no Paço do Lumiar?
Em 1970 projetou o redesenho do jardim da Quinta de São Sebastião, segundo o inventário do património.
O que é o jardim português?
Um jardim de socalcos e espaços fechados, construído à volta da sombra, da água em tanques e fontes, e de muros e bancos de azulejo.
Que idade tem o jardim?
É do século XVIII; um banco de azulejo teve a data de 1715.
A propriedade está à venda?
Sim, através da Wiseguys Properties, com o nome Garden of Eden.
Para ler a seguir: Bairros de Lisboa: onde viver, lidos pela arquitetura.
Fontes: SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitectónico, "Jardins da Quinta de São Sebastião" (ficha 10421); Jardins Históricos de Portugal; Rota do Paço do Lumiar, Centro Cultural da Ponte (2025). Fundação Calouste Gulbenkian. Fotografia: Wiseguys Properties.
