Paço do Lumiar: uma aldeia de quintas no norte de Lisboa
Updated: 2 days ago
Lisboa tem uma aldeia onde as quintas nunca saíram.
A norte do Campo Grande, para lá das vias rápidas e das avenidas novas, a cidade abranda de repente. O Paço do Lumiar é uma rua antiga, alguns largos e uma fiada de quintas que Lisboa absorveu sem chegar a digerir. O nome é uma escritura: o paço que D. Dinis deu ao filho em 1312.

Um paço para um infante
Em 1312, D. Dinis deu uma quinta no Lumiar ao filho, D. Afonso Sanches. No reinado de D. Afonso IV a residência passou a chamar-se Paço do Lumiar, e o nome ficou com o lugar. Ao longo dos séculos, cortesãos, mercadores e famílias nobres construíram as suas quintas ao longo da estrada: casas de verão, com jardins, pomares e azulejo.
Monteiro-Mor: o parque de um botânico
A maior de todas é a Quinta do Monteiro-Mor, com cerca de onze hectares. No século XVIII, o Marquês de Angeja encomendou ao botânico italiano Domenico Vandelli a plantação do parque; em 1840 a quinta passou para o Duque de Palmela, sob o qual o botânico Friedrich Welwitsch cuidou dos jardins. Hoje pertence ao Estado: o Palácio do Monteiro-Mor acolhe o Museu Nacional do Teatro e da Dança, o Palácio Angeja-Palmela o Museu Nacional do Traje, e o parque, com as árvores identificadas, os lagos e os canteiros, está aberto a todos.

A Quinta dos Azulejos
A poucos passos, a Quinta dos Azulejos merece o nome. Foi construída a partir de 1745 para António Colaço Torres, filho de um ourives, e recebeu uma visita régia em 1753. O jardim é uma galeria de azulejo setecentista, em grande parte da Real Fábrica do Rato. Desde 1935 pertence a uma escola, o Colégio Manuel Bernardes, que manteve os azulejos no lugar.
Uma galeria de azulejo, guardada por uma escola.
Nossa Senhora da Paz e os azulejos de Sacavém
No n.º 46 da mesma estrada, a Quinta de Nossa Senhora da Paz foi remodelada entre 1929 e 1934 por Herbert Guilbert, o inglês proprietário da Fábrica de Loiça de Sacavém. Revestiu fachadas e pátios com azulejos feitos na sua própria fábrica, com desenho de H. C. Sant'Anna e A. Ribeiro, e mandou desenhar o jardim em socalcos ao horticultor portuense Jacintho de Mattos. Hoje pertence à cidade.
Uma santa irlandesa, e um poeta
A igreja paroquial de São João Baptista do Lumiar guarda uma das histórias mais estranhas de Lisboa: em 1283 chegaram três cavaleiros irlandeses com a relíquia de Santa Brígida, e ficaram. Os seus túmulos continuam nas paredes da igreja. E na Rua Direita, uma lápide marca a casa onde morreu o poeta Cesário Verde.

No Paço do Lumiar, a cidade nunca chegou a substituir o campo.
São Sebastião
No alto da estrada, junto a uma ermida anterior a 1628, ergue-se a Quinta de São Sebastião, uma quinta setecentista reconstruída por Raul Lino em 1920, com um jardim redesenhado por Gonçalo Ribeiro Telles em 1970. As suas histórias contam-se em Antes de Lino, Raul Lino reconstrói uma quinta joanina e Ribeiro Telles e o jardim.

O palácio está à venda através da Wiseguys Properties: veja Garden of Eden.
Perguntas frequentes
Onde fica o Paço do Lumiar?
Na freguesia do Lumiar, no norte de Lisboa, perto de Carnide e do Campo Grande.
Que museus há no Paço do Lumiar?
O Museu Nacional do Traje e o Museu Nacional do Teatro e da Dança, ambos na Quinta do Monteiro-Mor, com o seu parque botânico.
O que é a Quinta dos Azulejos?
Uma quinta setecentista, construída a partir de 1745, famosa pelos azulejos do jardim. Acolhe o Colégio Manuel Bernardes desde 1935.
Quem desenhou o Parque do Monteiro-Mor?
O botânico italiano Domenico Vandelli, para o Marquês de Angeja, no século XVIII.
Há algum imóvel à venda no Paço do Lumiar?
Sim: o palácio da Quinta de São Sebastião, através da Wiseguys Properties, com o nome Garden of Eden.
Para ler a seguir: Bairros de Lisboa: onde viver, lidos pela arquitetura.
Fontes: Jardins Históricos de Portugal (Quinta dos Azulejos; Quinta de Nossa Senhora da Paz); SIPA, ficha 10421; Rota do Paço do Lumiar, Centro Cultural da Ponte (2025); Time Out Lisboa; The Portugal News (2026). Fotografia: Wiseguys Properties; imagens de contexto: Wikimedia Commons e fontes públicas.
