Antes de Lino: a Quinta de São Sebastião e os seus azulejos, no Lumiar
Updated: 2 days ago
Antes do arquiteto, houve o século de um rei.
No início da Estrada do Paço do Lumiar, onde a velha estrada deixa o Largo de São Sebastião, uma longa casa ocre ergue-se por detrás dos muros do jardim. O seu século XX tem nomes célebres: Raul Lino, que a reconstruiu em 1920, e Gonçalo Ribeiro Telles, que redesenhou o jardim em 1970. Esta é a história anterior, a de uma quinta do tempo de D. João V.

Primeiro, a ermida
O edifício mais antigo não é a casa, mas a ermida ao lado. A Ermida de São Sebastião é anterior a 1628, data registada nos seus azulejos, e no século XVII foi um lugar de verdadeira devoção, dotado por um capitão, Estêvão Soares de Albergaria, que lhe pagou obras. À volta da ermida, e do largo em frente, vieram depois as construções.
Uma quinta do tempo de D. João V
A quinta propriamente dita é uma criação do século XVIII. A tradição local liga-a a D. João V, que reinou de 1706 a 1750, e as armas reais na fachada posterior dão-lhe peso. Os inventários do jardim descrevem o que ele já guardou: estátuas, fontes, tanques e muros revestidos de azulejo, e um banco de azulejo com a data de 1715.
Essa data coloca o jardim na idade de ouro do azulejo português, as décadas em que as oficinas de Lisboa cobriram paredes, bancos e escadas de painéis azuis e brancos, e em que uma quinta fora da cidade era o lugar onde um cortesão ia mostrar o seu ócio.

O azulejo era a língua do ócio.
Dois hectares, em 1836
A casa nem sempre teve esta dimensão. Uma carta de 1826, a mais antiga conhecida sobre a quinta, refere um edifício mais pequeno do que o atual. Dez anos depois, em 1836, a propriedade é descrita com cerca de dois hectares: casa e jardim, pomares, vinha, poço e casas de lavoura. Uma quinta de trabalho, portanto, tanto quanto de recreio.
No início do século XX a quinta atravessou anos difíceis e perdeu parte do que tinha. Em 1920, os novos proprietários, a família Roxo, chamaram Raul Lino para a reconstruir. É esse o capítulo seguinte.

Um brasão real, um banco de azulejo, uma ermida anterior a 1628: a quinta guarda os seus séculos à vista.
O que ficou
Por volta de 2007, a parte exterior da antiga quinta deu lugar a um conjunto residencial de quatro edifícios. O palácio manteve o seu próprio jardim, com cerca de 2.780 m², e os tanques, pavilhões e azulejos que contam esta história. A quinta integra o conjunto classificado do Paço do Lumiar, uma aldeia de quintas que contamos noutro artigo.

O palácio está à venda através da Wiseguys Properties: veja Garden of Eden. Leia também a reconstrução de Raul Lino e o jardim de Ribeiro Telles.
Perguntas frequentes
O que é a Quinta de São Sebastião?
Uma quinta setecentista no Paço do Lumiar, no norte de Lisboa, junto à Ermida de São Sebastião. Integra o conjunto classificado do Paço do Lumiar.
A quinta está ligada a D. João V?
A tradição local liga-a a D. João V (reinou de 1706 a 1750), o que é sustentado pelas armas reais na fachada posterior.
Que idade tem a ermida?
A Ermida de São Sebastião é anterior a 1628, data registada nos seus azulejos.
Quem reconstruiu a casa?
O arquiteto Raul Lino, em 1920, para a família Roxo. O jardim foi redesenhado por Gonçalo Ribeiro Telles em 1970.
O palácio está à venda?
Sim, através da Wiseguys Properties, com o nome Garden of Eden.
Para ler a seguir: Azulejos portugueses: um guia, de Sintra ao Metro de Lisboa.
Fontes: SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitectónico, "Jardins da Quinta de São Sebastião" (ficha 10421); Jardins Históricos de Portugal; Rota do Paço do Lumiar, Centro Cultural da Ponte (2025). Fotografia: Wiseguys Properties.
