Villa Justa: o palácio que um banqueiro de Badajoz construiu em Elvas
Updated: 2 days ago
Há casas que se constroem para uma família. A Villa Justa foi construída para uma fortuna.
Nos arredores de Elvas, a poucos quilómetros da fronteira espanhola, um banqueiro de Badajoz mandou construir para si, em 1888, um palácio de campo. No meio século seguinte, a casa passou para um republicano espanhol, abrigou a sua viúva, deu à cidade um nome para dizer em voz baixa e ganhou uma lenda que envolve um rei. Esta é a história da Villa Justa, em Elvas, hoje conhecida como Mistress's Palace.

Três hortas e um olival, 1888
A 11 de janeiro de 1888, Luis Olleros y Mancilla, morador em Badajoz, comprou a Joaquim Guilherme de Vasconcelos Azevedo e Silva, da Rua de Olivença, em Elvas, e à sua mulher, Catarina Amália de Vasconcelos de Azevedo e Silva, três terrenos à saída da cidade: a Horta do Álamo, a Horta dos Passarinhos e o Olival dos Álamos. Pagou 2.600.000 réis. As escrituras desenham uma paisagem de vizinhos: olivais por todos os lados, cada um com o nome do seu dono.
Um advogado de Béjar
Olleros nasceu em Béjar, na província de Salamanca, a 17 de março de 1836. Fez o primeiro grau académico, em Filosofia, na Universidade de Salamanca, em 1851, estudou Direito em Madrid e começou a exercer a 12 de agosto de 1861. Fixou-se em Badajoz e, nas décadas seguintes, fez crescer uma fortuna familiar já considerável, até se tornar o banqueiro mais conhecido da cidade.

Um palácio às portas de Elvas
Em 1887 decidiu construir um grande palácio de campo nos arredores de Elvas e chamar-lhe Villa Justa. As obras começaram em março de 1888. Ao abrirem as primeiras valas para as fundações, junto à Ribeira de Gil Navalha, os construtores deram com uma necrópole romana; as peças foram recolhidas pela câmara municipal.
Não foi por acaso. Durante séculos, a planície fértil em torno de Elvas foi cultivada a partir de villae romanas; na Quinta das Longas, a poucos quilómetros, as escavações iniciadas em 1990 puseram a descoberto uma villa do Baixo Império e, em 2000, um conjunto de esculturas em mármore do seu ninfeu. Dois mil anos antes da Villa Justa, alguém já tinha escolhido este chão para uma casa.


O republicano de Madrid
Olleros morreu no final da década de 1890 e a Villa Justa passou para outro espanhol, Luis Arenzana Barrera, que já lá vivia em 1904: a casa e o seu dono aparecem nesse ano na Descripção d'Elvas e de seus habitantes, de António Luciano d'Azevedo. Arenzana era um republicano próximo do Partido Radical espanhol, e uma casa do outro lado da fronteira convinha a um homem com as suas ideias, tanto mais depois de o próprio Portugal se ter tornado uma república, em 1910.

Nas décadas de 1920 e 1930 passava muito mais tempo em Madrid do que em Elvas, e deixava a mulher sozinha no palácio. Depois da Guerra Civil, o seu nome surge na Causa General, o arquivo do regime de Franco, num processo por «desafeição ao regime».
Quinta da Espanhola
Quando Arenzana morreu, a Villa Justa ficou para a viúva. Ela continuou a viver sozinha no palácio, e Elvas começou a chamar-lhe Quinta da Espanhola. Sozinha, recebia: a alta burguesia da região, membros da nobreza espanhola. E a cidade falava.
A história que sobreviveu é a de que Afonso XIII era visita frequente da casa, e seu amante. Não se pode provar. O historiador José Luis Hernández Garvi, que catalogou os muitos casos amorosos do rei, não a nomeia, embora note que houve certamente mais do que os que alguém documentou. O que fica é uma lenda, uma alcunha e, com o tempo, o nome que a casa ainda hoje tem.
«Uma lenda não se prova. Apenas se guarda, e Elvas guardou esta.»

A casa hoje
O Mistress's Palace ocupa nove hectares, com jardins atribuídos a Jean-Claude Nicolas Forestier e vitrais atribuídos às oficinas Maumejean. Está à venda através da Wiseguys Properties: veja o Mistress's Palace em Elvas.
Perguntas frequentes
O que é a Villa Justa, em Elvas?
A Villa Justa é um palácio de campo nos arredores de Elvas, no Alto Alentejo, iniciado em 1888 para Luis Olleros y Mancilla, advogado e banqueiro de Badajoz. É hoje conhecida como Mistress's Palace.
Porque se chama Mistress's Palace?
Depois da morte do segundo proprietário, Luis Arenzana Barrera, a viúva continuou a viver sozinha na casa, que ficou conhecida localmente como Quinta da Espanhola. Uma lenda local fez dela amante do rei Afonso XIII. Nenhum documento o confirma, mas foi essa história que deu à casa o nome de Mistress's Palace, o Palácio da Amante.
Havia uma villa romana no local?
Quando se abriram as fundações, em 1888, foi encontrada uma necrópole romana junto à Ribeira de Gil Navalha, e as peças foram entregues à Câmara Municipal de Elvas. Na época romana, os campos em redor de Elvas eram intensamente cultivados, como mostra a villa escavada da Quinta das Longas.
O Mistress's Palace está à venda?
Sim. O palácio, os jardins e nove hectares de terreno estão à venda através da Wiseguys Properties.
Para ler a seguir: Imóvel classificado: o que muda na venda e na compra.
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Fontes: escritura de compra de 11 de janeiro de 1888 e registos prediais; António Luciano d'Azevedo, Descripção d'Elvas e de seus habitantes (1904); Causa General, Archivo Histórico Nacional; estudos sobre a villa romana da Quinta das Longas. Fotografia do palácio: Wiseguys Properties. Wiseguys Properties, AMI 23109 · info@wgpadvisors.com
