Vitrais Maumejean: a dinastia que iluminou Espanha, e um palácio em Elvas
Updated: 2 days ago
Em Espanha, durante a maior parte do século XX, a luz colorida tinha apelido.
Chamava-se Maumejean. Uma família de pintores de vidro de Pau, nos Pirenéus franceses, que em três gerações se tornou a grande casa de vitrais de Espanha e envidraçou bancos, casinos, palácios e igrejas de Madrid a Sevilha. Esta é a história dos vitrais Maumejean, e das portas e da claraboia do Mistress's Palace, em Elvas, que trazem a sua mão.

Pau, 1860
Jules Pierre Maumejean tinha vinte e três anos quando abriu a primeira oficina, em 1860, no 14–16 da rue Montpensier, em Pau, na casa do conde de Barraute. O primeiro anúncio prometia vitrais para igrejas e oratórios. Era, de certo modo, um ofício herdado: o pai e o avô tinham pintado faiança, e ele formara-se em Bordéus e em Paris.
Casou com Marie Honorine Lalanne e tiveram cinco filhos: Joseph, Henri, Léon, Marie e Charles. Em 1884 construiu uma moradia em Pau e deu-lhe um nome sem rodeios: Los Vidrieros. A oficina seguiu a costa: Anglet em 1890, Biarritz em 1893. As ligações a Madrid trouxeram encomendas da Casa Real espanhola. Morreu em 1909.

Madrid, 1898
O filho mais velho, Joseph, conhecido em Espanha como José, nasceu em 1869 e formou-se com o pai, na École des Beaux-Arts de Paris e em Nancy e Tours, como discípulo do mestre vidreiro Jean-Baptiste Anglade. Em 1897 recebeu uma medalha na Exposição Nacional de Belas-Artes de Espanha. Em 1898 abriu oficina em Madrid, na calle Abascal 39, e com o irmão Henri fez dela o centro do negócio da família.
Mais tarde, a oficina mudou-se para o Paseo de la Castellana. Uma planta de 1927 mostra como se organizava uma casa de luz: salas de desenho para os projetistas, um laboratório fotográfico, uma biblioteca, fornos à volta de um pátio, um arquivo no piso de cima.


Bancos, casinos, uma câmara municipal
Madrid reconstruía-se como capital, e as suas novas instituições queriam luz. Para o Banco de España, a Maumejean envidraçou a rotunda, a entrada da calle de Alcalá e a escadaria principal, onde figuras alegóricas se erguem em altas janelas de vitral: Música, Escultura, Pintura, História, Poesia, Arquitetura, Trabalho, Felicidade, Glória. O Patio de Cristales da Casa de la Villa traz a assinatura «S.A. Maumejean / Madrid». Na Gran Vía, a casa fez o vitral que coroa o átrio do casino inaugurado em 1924 na presença de Afonso XIII.



«Dizer Maumejean, em Espanha, era simplesmente dizer vitral.»
Uma casa de muitas cidades
Os irmãos dividiram o mapa. Charles dirigia a oficina de Paris, no 6 e 6 bis da rue Bézout, no 14.º arrondissement, que ficou conhecida pelos mosaicos; a manufatura principal ficava em Hendaye, na fronteira. Seguiram-se filiais em Barcelona e San Sebastián, esta também dedicada ao mosaico. Léon seguiu o seu próprio caminho em Paris, onde morreu em 1921. As oficinas espanholas reuniram-se na S.A. Maumejean Hermanos, com sede em Madrid, presidida pelo arquiteto José Yarnoz e com o escultor Mariano Benlliure no conselho de administração.
A casa expôs na exposição de artes decorativas de Paris, em 1925, em Barcelona e Sevilha, em 1929, e na Exposição Colonial de Paris, em 1931, e somou medalhas de ouro em Filadélfia, Milão, Madrid e Pamplona. O trabalho percorreu todos os registos da época: historicista e neorrenascentista, Arte Nova, Art Déco, racionalista; para igrejas, bancos, teatros e casas particulares.


Henri morreu em 1932. José dirigiu a oficina de Madrid até aos anos 40 e, já velho, viajou até Marrocos com a intenção de abrir mais uma; morreu em 1952. Charles seguiu-o em 1957, e o filho de Joseph, Georges, o último dos pintores, em 1970. O nome sobrevive na Sociedad Maumejean de Vidrieras Artísticas, em Alcalá de Henares, que ainda faz e restaura vitrais.
Vitrais Maumejean no Mistress's Palace, em Elvas
Parte desta luz atravessou a fronteira. No Mistress's Palace, em Elvas, no Alto Alentejo, a sala de jantar abre-se por um par de portas com vitrais, entre pilastras caneladas, com bandeira por cima e altas janelas de cada lado. O vidro é sobretudo incolor e texturado, emoldurado por cercaduras coloridas, e pintado a grisalha e amarelo de prata em esmalte cozido: volutas e conchas clássicas com um claro acento Arte Nova, o registo misto que a oficina de Madrid fazia melhor.

Por cima, uma claraboia oval abre-se na abóbada, dentro de uma coroa de louros moldada: fundo incolor, um motivo geométrico ao centro, uma cercadura de volutas vegetais simples em amarelo e verde. Nenhuma das peças está assinada. A técnica e o desenho, e o parentesco com os restantes vidros da casa, apontam para as oficinas Maumejean. O palácio está à venda através da Wiseguys Properties: conhecer o Mistress's Palace. Os jardins têm a sua própria história, contada no nosso artigo sobre Jean-Claude Nicolas Forestier.

Perguntas frequentes
Quem eram os Maumejean?
Uma família francesa de vitralistas. Jules Pierre Maumejean abriu a primeira oficina em Pau, em 1860; os filhos, liderados por Joseph (José) Maumejean, fizeram do negócio a principal casa de vitrais da Espanha do século XX, com oficinas em Madrid, Paris, Hendaye, Barcelona e San Sebastián.
Onde ver vitrais Maumejean em Madrid?
Entre os exemplos mais conhecidos estão os vitrais do Banco de España, incluindo a escadaria principal, o Patio de Cristales da Casa de la Villa e o vitral que coroa o átrio do Casino Gran Vía, feito entre 1917 e 1924.
A empresa Maumejean ainda existe?
Sim. A casa continua hoje como Sociedad Maumejean de Vidrieras Artísticas, em Alcalá de Henares, perto de Madrid, com novas encomendas, restauro e conservação.
Como reconhecer um vitral Maumejean?
Algumas peças estão assinadas, por exemplo «S.A. Maumejean / Madrid». Muitas não estão, e a atribuição assenta então em arquivos, encomendas documentadas e na comparação da técnica: vitral de chumbo que combina vidro incolor texturado com cercaduras coloridas, grisalha pintada, amarelo de prata e esmaltes cozidos.
Para ler a seguir: Imóvel classificado: o que muda na venda e na compra.
O Mistress's Palace, em Elvas, é representado pela Wiseguys Properties. Para uma visita privada, ou para outras casas deste calibre, muitas delas fora do mercado aberto, veja os nossos imóveis off-market ou escreva-nos.
Fontes: Casa Decor; Casino Gran Vía; Archivo de Villa, Madrid (planta da oficina, 1927); estudos sobre a S.A. Maumejean Hermanos. Imagens de arquivo: família Maumejean e pranchas do Banco de España. Fotografia do Mistress's Palace: Wiseguys Properties. Wiseguys Properties, AMI 23109 · info@wgpadvisors.com
