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Viver em Portugal: o que procura quem vem para ficar

2 days ago
6 min read

Portugal não é um sítio para viver. São vários.


Viver em Portugal é escolher entre uma capital atlântica, um norte de granito, uma planície de sobreiros e uma costa a sul, muitas vezes a poucas horas de carro umas das outras. Chegam reformados estrangeiros, profissionais que trabalham à distância, famílias que mudam de ritmo, e também portugueses que regressam. A decisão faz-se com a luz e a paisagem, mas também com papéis: vistos, saúde e um sistema fiscal que mudou para quem chega em 2024. Este guia trata das duas coisas, com as regras em vigor em outubro de 2026, e diz no fim o que isso significa para quem vende.


Onde viver: um mapa de temperamentos

Lisboa tem a vida inteira de uma capital: museus, teatros, aeroporto internacional, hospitais e escolas, e bairros que vão da Baixa pombalina às Avenidas Novas. É também um dos sítios mais caros do país para comprar casa. O nosso guia dos bairros de Lisboa percorre-os rua a rua. A poente, Cascais e Sintra juntam mar, serra e velhas casas de veraneio, com o comboio da linha de Cascais até à cidade. Mais a norte, a Ericeira guarda a escala de vila piscatória.


O Alentejo é espaço: vilas caiadas, montado de sobro e azinho, verões quentes e secos e uma costa que desce a partir da Comporta e de Melides. No interior, cidades como Évora, Elvas e Portalegre oferecem casas de pedra, ruas calmas e vida local todo o ano. Veja os guias sobre a Comporta e Melides e sobre quintas e montes no Alentejo.


A norte de Lisboa, a costa Oeste tem praias largas e vilas como Óbidos e as Caldas da Rainha, como na nossa história da moradia das Areias do Seixo. O Porto e o Minho são mais verdes e mais chuvosos, terra de casas de granito, vinha e praias como Ofir, em Esposende. No Centro, o vale do Tejo à volta de Abrantes é ainda mais sossegado. O Algarve tem há muito uma grande comunidade estrangeira e o ritmo mais ao ar livre de todos.


Casa de praia em Ofir, Esposende, no litoral norte
Ofir, no litoral norte, onde o pinhal encontra a praia.

Vistos: europeus e os outros

Os cidadãos da União Europeia não precisam de visto. Ao fim de três meses, registam a residência na câmara municipal, que emite um certificado de registo. Desde o Brexit, os britânicos estão na mesma situação que os restantes cidadãos de fora da UE.


Para esses, a via habitual dos reformados é o visto D7, para quem vive de pensões ou de rendimentos próprios. Os consulados avaliam os meios de subsistência pela retribuição mínima mensal garantida, de 920 euros em 2026: 100 % para o requerente, 50 % por cada adulto adicional e 30 % por cada filho. Um casal tem, portanto, de demonstrar pelo menos 1.380 euros por mês. Quem ainda trabalha, para empresas ou clientes no estrangeiro, pode pedir o visto para trabalho remoto, que exige rendimentos médios nos últimos três meses de pelo menos quatro salários mínimos, 3.680 euros por mês em 2026. A compra de casa já não dá acesso a visto gold: veja o que resta do golden visa e do RNH em 2026.


Para quem pensa a mais longo prazo, a lei da nacionalidade mudou em maio de 2026: a naturalização exige agora sete anos de residência legal a nacionais da UE e de países de língua oficial portuguesa, e dez anos aos restantes.


Quarto com vista para o Atlântico na Ericeira
Ericeira. Na costa oeste, o Atlântico faz parte do dia a dia.

Saúde

Quem reside legalmente inscreve-se no centro de saúde da sua área e recebe o número de utente do SNS. Os pensionistas cuja pensão é paga por outro país da UE inscrevem-se normalmente com o formulário S1 emitido por esse país, ao abrigo das regras europeias de segurança social. Muitos residentes estrangeiros fazem também um seguro de saúde privado, e os consulados pedem em regra um seguro de saúde ou de viagem aos requerentes de visto de fora da Europa. No interior, a distância ao hospital mais próximo merece tanta atenção como a vista.


Pensões e IRS depois do RNH

Quem passa mais de 183 dias por ano em Portugal, ou cá tem uma habitação em condições que façam supor a intenção de a manter como residência habitual, é em regra residente fiscal e tributado pelos rendimentos obtidos em todo o mundo. Durante quinze anos, o regime do residente não habitual atenuou essa regra para quem chegava; a partir de 2020, os novos inscritos pagavam 10 % sobre pensões estrangeiras. O regime foi revogado a partir de 1 de janeiro de 2024. Quem estava inscrito mantém-no até ao fim dos dez anos, mas nenhum novo reformado pode entrar, e o sucessor, o IFICI, deixa as pensões de fora.


Um reformado que se torne residente hoje é tributado pelas regras gerais. As pensões estrangeiras entram na categoria H do IRS, às taxas progressivas que em 2026 vão de 12,5 % a 48 %. Qual dos países tributa efetivamente cada pensão depende da convenção para evitar a dupla tributação entre Portugal e o país que a paga, e as pensões da função pública seguem muitas vezes regras diferentes das privadas. É uma conversa a ter com um consultor fiscal antes de escolher a data da mudança, não depois.


Piscina com espreguiçadeiras numa propriedade rural em Melides, costa alentejana
Melides, na costa alentejana. Aqui o verão é longo e seco.

O custo de vida em Portugal

Segundo o Eurostat, o nível de preços do consumo individual em Portugal era de 85 em 2024, para uma média europeia de 100; a França estava nos 107,9. O dia a dia, do mercado ao restaurante, sai mais barato do que na maior parte da Europa Ocidental. A habitação é a exceção que conta. Em Lisboa, em Cascais e nas zonas mais conhecidas da costa, os preços respondem a um mercado internacional, enquanto o interior do Alentejo e do Centro mantém um ritmo local.


Arrendar um inverno antes de comprar um verão.


Arrendar primeiro ou comprar?

Um ano, ou pelo menos um inverno, na região escolhida é o melhor investimento que um recém-chegado pode fazer. A costa atlântica não é a mesma em janeiro, as aldeias esvaziam-se, e uma casa perfeita em agosto pode ficar longe de uma farmácia. Tomada a decisão, a compra segue os mesmos passos para todos, portugueses ou estrangeiros: veja comprar casa em Portugal, passo a passo e quanto custa realmente comprar casa.


Sala com lambris numa casa senhorial reabilitada em Portalegre, Alentejo
Portalegre. Uma casa senhorial reabilitada numa cidade do interior.

O que isto diz a quem vende

O comprador que vem para viver não compra como o investidor de há dez anos. Pergunta pelo hospital, pelo aeroporto, pela internet, pelo aquecimento no inverno. Quer saber se a casa tem licença de utilização, certificado energético e registos em ordem, porque o seu advogado vai pedir tudo. Um vendedor que tem a caderneta predial, o certificado energético e a licença de utilização prontos antes de anunciar poupa semanas e ganha a confiança de quem compra de longe. Para preparar a venda, veja o nosso guia vender casa: passos e documentos.


Casa numa quinta junto ao Tejo, perto de Abrantes
Perto de Abrantes, uma casa sobre o Tejo.

A Wiseguys Properties trabalha com casas para uma vida longa em Portugal: uma quinta sobre o Tejo, perto de Abrantes, uma casa de praia em Ofir, uma casa senhorial em Portalegre ou uma propriedade rural em Melides. Se tem uma casa que serve quem vem para ficar, veja a nossa página vender o seu imóvel.


Perguntas frequentes

Um estrangeiro pode reformar-se em Portugal?

Sim. Os cidadãos da UE fixam-se livremente e registam-se na câmara municipal. Os restantes pedem em regra o visto D7, com rendimentos de pelo menos 920 euros por mês em 2026 para o requerente.


Qual é o custo de vida em Portugal?

Depende sobretudo da habitação. O Eurostat coloca os preços do consumo em Portugal em 85 % da média da UE em 2024, mas Lisboa e as zonas mais conhecidas da costa são muito mais caras do que o interior.


Os reformados estrangeiros ainda podem pedir o RNH?

Não. O regime fechou a novas inscrições em 2024. Quem já estava inscrito mantém-no até ao fim dos dez anos, e o IFICI, que o substituiu, não abrange pensões.


As pensões estrangeiras pagam IRS em Portugal?

Para um residente fiscal, em regra sim, às taxas progressivas de 12,5 % a 48 % em 2026, nos termos da convenção com o país que paga a pensão.


Que documentos deve ter pronto quem vende a um comprador estrangeiro?

Caderneta predial, certidão permanente, licença de utilização (ou documento que comprove a dispensa, nos edifícios anteriores a 1951) e certificado energético, entre outros.


Este artigo é informação geral sobre as regras em vigor em outubro de 2026. Não substitui aconselhamento jurídico, de imigração ou fiscal. Fontes: Lei 23/2007 e Decreto Regulamentar 4/2022; Portaria 1563/2007; Decreto-Lei 139/2025 (retribuição mínima 2026); Lei Orgânica 1/2026; Código do IRS, artigo 68.º (Lei 73-A/2025); Autoridade Tributária, perguntas frequentes sobre o RNH e o IFICI; Eurostat, índices de nível de preços (prc_ppp_ind, 2024); gov.pt. Fotografias: Wiseguys Properties.

 
 
 
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