Casa senhorial em Portalegre: a Great Green House e Teresa Saporiti
Da rua, quase nada se adivinha.
No centro histórico de Portalegre, uma casa senhorial de cave, dois pisos e sótão mostra à rua uma frente sóbria. Por trás, um jardim murado de 605 m², com caminhos de pedra, uma fonte e uma piscina; por dentro, um salão azul, um corredor de azul profundo, uma biblioteca e uma cozinha verde-hera. Chamamos-lhe The Great Green House. Pelo menos desde 1991 e até à sua morte, em 2019, pertenceu a Teresa Saporiti, a artista que passou boa parte da vida a fotografar e a inventariar os azulejos do distrito de Portalegre. Este é o retrato da casa, e dela.

Uma frente discreta, um jardim escondido
A Portalegre antiga construía assim: fachada sóbria para a rua estreita e profundidade nas traseiras. Esta casa fica na antiga freguesia de São Lourenço, no coração da cidade velha. O registo predial descreve-a como casa de cave, rés-do-chão, primeiro andar e sótão, com quintal: 922 m² de terreno, dos quais 317 m² de implantação e 605 m² descobertos. Como tantas casas da cidade, teve loja no piso térreo, e em 1991 a Câmara licenciou para comércio um compartimento do rés-do-chão.
O nome diz o que a rua não mostra. Verde é a cor do jardim, da vegetação madura que o enche e da cozinha que se abre para ele.
Teresa Saporiti, 1937-2019
Maria Teresa Côrte-Real Saporiti Machado nasceu em Portalegre em 1937, na freguesia de São Lourenço. Licenciou-se em Pintura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, frequentou um curso do IADE e fez uma pós-graduação em gravura na Slade School of Fine Art, em Londres. Desenhou, pintou, gravou e fotografou. Sobretudo, olhou para os azulejos.
Entre 1982 e 1991, com Ana Lopes de Almeida e o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, inventariou os azulejos de fachada e de exteriores de Lisboa do fim do século XIX e do início do século XX: 3.011 edifícios, 6.878 diapositivos. Seguiram-se os livros, quase todos bilingues e vários em edição de autor: Azulejos de Lisboa do século XX (1992); a Azulejaria de Luís Ferreira, o «Ferreira das Tabuletas» (1993); Azulejos portugueses: padrões do século XX (1998); e dois volumes sobre a azulejaria de Eduardo Nery (2000 e 2013). O nosso guia dos azulejos portugueses conta a história mais longa que ela documentava.
A azulejaria de um distrito
Depois, voltou-se para casa. A Azulejaria do Distrito de Portalegre, publicada em 2006, tem perto de quatrocentas páginas, em português e inglês, com fotografias de Raul Ladeira. O inventário em diapositivos do distrito integra hoje a coleção DigiTile da Biblioteca de Arte da Gulbenkian, ordenado por concelho e por edifício, com o local, a datação, o autor, a fábrica, o género, as dimensões e o estado de conservação de cada conjunto. Entre as imagens: a Capela de Santo António dos Olivais, em Alter do Chão, a Igreja Paroquial de Santiago, em Castelo de Vide, a Misericórdia de Elvas e a estação de caminho de ferro de Marvão, na Beirã.
Em 2008, um livro dedicado a um só edifício: os azulejos do Mosteiro de São Bernardo, em Portalegre. O mosteiro, de monjas cistercienses, foi mandado fundar em 1518 por D. Jorge de Melo, bispo da Guarda. O seu túmulo, de Nicolau Chanterene, é de mármore de Estremoz, e a igreja guarda painéis de azulejo do século XVIII com a vida de São Bernardo.
Um inventário é uma forma discreta de devoção.
Portalegre reconheceu-a. A 23 de maio de 2014, a Câmara atribuiu-lhe a Medalha de Mérito Municipal. A 15 de maio de 2026, sete anos depois da sua morte, o Politécnico de Portalegre inaugurou, com o apoio do Município, uma exposição das suas fotografias, apresentando-a como artista plástica e investigadora natural da cidade.
Salas azuis, uma biblioteca, uma cozinha verde
Por dentro, a casa guarda as proporções de uma Portalegre mais antiga: pés-direitos altos, estuques e uma lareira de mármore no salão azul. A data de construção não consta dos documentos que consultámos, e não a vamos inventar. Um corredor de azul profundo leva à biblioteca, forrada de estantes do chão ao teto. Os soalhos originais foram reparados e papéis de parede texturados vestem algumas paredes.

A cozinha é a divisão mais contemporânea e a mais verde: mármore de Estremoz, armários lacados em verde-hera, ferragens em latão e um fogão Meireles creme e latão. Há quatro quartos, três em suite. Ao todo, a casa soma 784 m² de área bruta de construção, cerca de 630 m² de área privativa, em vinte e três divisões.

A reabilitação recente ficou documentada. Em outubro de 2025, a Câmara Municipal de Portalegre certificou que o prédio, situado na Área de Reabilitação Urbana da cidade, foi objeto de uma ação de reabilitação de que resultou um estado de conservação excelente, pelo menos dois níveis acima do anterior, para efeitos dos benefícios fiscais à reabilitação urbana. O que se aplica a cada compra deve ser confirmado com um consultor fiscal. O certificado energético é B-.
O jardim murado
O jardim é o coração da casa. Caminhos de pedra e vegetação madura dividem-no numa sequência de espaços, uns a seguir aos outros, com uma fonte escultórica e, ao fundo, uma piscina privada. Do jardim, a casa mostra outra face, com grandes vãos e varandas sobre o jardim. É raro num centro histórico: 605 m² de verde privado por trás de uma fachada de rua.


A casa hoje
Portalegre fica no sopé da Serra de São Mamede, a cerca de duas horas de Lisboa, meia hora de Espanha e vinte e cinco minutos de Marvão e Castelo de Vide. É cidade de conventos e de tapeçaria, e o Journal já contou a história do seu Teatro Portalegrense e das bordadeiras de Nisa, ali perto. A Great Green House está à venda através da Wiseguys Properties: o anúncio tem todos os detalhes e fotografias, e a WGP Advisors terá gosto em marcar uma visita.
Perguntas frequentes
Quem foi Teresa Saporiti?
Uma artista plástica e investigadora de azulejaria, nascida em Portalegre em 1937 e falecida em 2019. Inventariou os azulejos de fachada de Lisboa e a azulejaria do distrito de Portalegre, a que dedicou vários livros.
Que relação tem Teresa Saporiti com esta casa?
A casa pertenceu-lhe, pelo menos desde 1991 e até à sua morte, em 2019.
Onde se pode ver o inventário dos azulejos de Portalegre?
O inventário em diapositivos integra a coleção DigiTile da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, que mostra uma seleção online.
Que livros publicou sobre Portalegre?
Azulejaria do Distrito de Portalegre (2006) e Azulejos do Mosteiro de São Bernardo em Portalegre (2008), ambos bilingues.
A casa está à venda?
Sim, através da Wiseguys Properties. O anúncio no nosso site tem os detalhes e as visitas podem ser marcadas.
Fontes: Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte, DigiTile (Inventário da azulejaria do distrito de Portalegre; Azulejaria de Lisboa); Biblioteca Nacional de Portugal, registos bibliográficos de Teresa Saporiti; Centro Português de Serigrafia, biografia da artista; Rádio Elvas, 14 de maio de 2026; Infopédia, Convento de S. Bernardo; Câmara Municipal de Portalegre, certidão de reabilitação (2025). Fotografias: Wiseguys Properties.




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